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Medicina preventiva cardiovascular no Lago Sul: agir antes do sintoma

Medicina preventiva cardiovascular no Lago Sul parte de uma constatação incômoda: em boa parte das pessoas, o primeiro sinal de doença do coração é o próprio evento. Prevenir é estimar o risco antes disso e agir sobre o que é modificável, com intensidade proporcional ao risco encontrado. Este texto é informativo e não substitui a consulta médica.

Dra. Layla Benevides, cardiologista dedicada à medicina preventiva cardiovascular no Lago Sul

Como a medicina preventiva cardiovascular estima o risco

Prevenção sem cálculo de risco vira ou excesso de exame ou falsa tranquilidade. O cálculo existe para calibrar a intensidade da conduta.

A estimativa é feita pelo escore PREVENT, que calcula a probabilidade de doença cardiovascular em 10 e em 30 anos. Ele considera idade, colesterol, pressão arterial, diabetes e tabagismo, acrescenta a função renal à conta e inclui a insuficiência cardíaca no desfecho, não apenas o infarto e o AVC. A janela de 30 anos importa especialmente para pessoas mais jovens, em quem o risco de 10 anos quase sempre parece baixo e esconde uma trajetória ruim.

O que entra na conversa além do escore:

  • História familiar de evento precoce, infarto antes dos 55 anos no pai ou dos 65 na mãe.
  • Condições específicas de mulheres, como pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e menopausa precoce, que aumentam risco e são pouco perguntadas.
  • Doenças inflamatórias crônicas, como artrite reumatoide e psoríase.
  • Apneia do sono, frequentemente não diagnosticada.
  • Lipoproteína(a) elevada, genética e estável ao longo da vida.

Quando o risco fica numa zona indefinida, o escore de cálcio coronariano costuma ser o exame que desempata, porque mostra se já existe placa e reclassifica a pessoa para cima ou para baixo.

O que muda conforme o risco encontrado

A ideia central da prevenção é que a intensidade da conduta acompanhe o risco. Tratar todo mundo igual é errado nos dois sentidos: excessivo para uns, insuficiente para outros.

Risco estimado O que costuma orientar
Baixo Hábito, controle de peso, atividade física, reavaliação espaçada
Intermediário Investigação adicional para refinar a decisão, incluindo escore de cálcio
Alto Metas mais rigorosas de colesterol e pressão, com tratamento medicamentoso
Muito alto, com doença manifesta Prevenção secundária, com alvos bem mais baixos

Os cinco alvos que mais mudam desfecho são conhecidos e pouco glamourosos: não fumar, pressão controlada, colesterol na meta do seu risco, glicemia controlada e atividade física regular. Nenhum deles depende de tecnologia cara. O que depende de consulta é saber qual meta é a sua.

Peso, sono e álcool entram por trás de quase todos. Apneia do sono não tratada sabota controle de pressão; álcool em excesso sabota triglicerídeo, pressão e ritmo.

Quais exames valem a pena e quais não

A pergunta que mais recebo em prevenção é qual exame fazer. A resposta honesta é que o exame certo depende do risco, e que exame demais tem custo próprio.

Exame sem pergunta clínica gera achado incidental, e achado incidental gera mais exame, biópsia, ansiedade e, às vezes, tratamento de algo que nunca daria problema. Isso não é economia de recurso, é proteção do paciente.

O que costuma fazer sentido na avaliação preventiva:

  1. Perfil lipídico completo, com lipoproteína(a) ao menos uma vez na vida.
  2. Glicemia e hemoglobina glicada.
  3. Função renal e exame de urina, que entram no próprio cálculo de risco.
  4. Pressão medida fora do consultório, quando há dúvida.
  5. Eletrocardiograma, conforme idade e fatores de risco.
  6. Escore de cálcio, quando o risco está na zona indefinida.

O que raramente ajuda em pessoa sem sintoma e de baixo risco: bateria ampla de exames de imagem pedida de forma automática. Quem quer o roteiro organizado da avaliação completa encontra em check-up cardiológico, e quem procura avaliação antes de treinar, em cardiologia do esporte.

Com que frequência reavaliar

O intervalo de reavaliação também acompanha o risco. Pessoa jovem, sem fator de risco e com exames normais costuma reavaliar de forma espaçada. Quem tem hipertensão, diabetes, colesterol alterado ou história familiar importante reavalia com mais frequência, e quem já tem doença manifesta entra em seguimento regular.

O que eu peço que você traga sempre: exames anteriores, mesmo antigos, porque a comparação vale mais que o valor isolado. Um LDL de 150 em quem sempre teve 150 é diferente de um LDL de 150 em quem tinha 100 há dois anos.

Uma observação sobre expectativa. Prevenção não promete que nada vai acontecer. Ela reduz probabilidade, e reduz bastante quando os cinco alvos estão controlados. Quem oferece garantia está vendendo outra coisa.

Atenção: prevenção é para quem não tem sintoma. Dor no peito em aperto, falta de ar súbita, desmaio ou palpitação com mal-estar não são caso de agendar avaliação preventiva. Procure emergência ou ligue 192 (SAMU).

A avaliação acontece no consultório da Clínica Lívere, no Lago Sul, e no da Live Medicina Especializada, na Asa Sul, com as formas de agendar em agendar consulta.

Perguntas frequentes

O que é medicina preventiva cardiovascular?

É estimar o seu risco de doença do coração antes de qualquer sintoma e agir sobre o que é modificável, com intensidade proporcional ao risco encontrado. O cálculo é feito hoje pelo escore PREVENT, que estima a probabilidade em 10 e em 30 anos e inclui a função renal e a insuficiência cardíaca na conta.

Com que idade devo começar a cuidar do coração?

Antes do que a maioria imagina. A aterosclerose começa décadas antes do primeiro sintoma, e a janela de 30 anos do escore PREVENT existe justamente porque em pessoa jovem o risco de 10 anos quase sempre parece baixo. Com história familiar de evento precoce, a avaliação deve começar mais cedo ainda.

Preciso fazer muitos exames para prevenir?

Não, e exame demais tem custo próprio. Achado incidental gera mais exame, ansiedade e às vezes tratamento de algo que nunca daria problema. O que costuma bastar é perfil lipídico completo, glicemia, função renal, pressão bem medida e eletrocardiograma conforme a idade, com escore de cálcio quando o risco fica indefinido.

Sou jovem e sem sintoma. Vale a pena consultar um cardiologista?

Vale quando há história familiar de infarto ou morte súbita precoce, quando você pretende iniciar atividade física intensa, ou quando já existe algum fator como pressão alta, colesterol alterado, diabetes ou tabagismo. Nessas situações a avaliação muda conduta. Sem nenhum desses, a frequência pode ser bem espaçada.

Leia também

Onde a consulta acontece

Clínica Lívere

SHIS QI 01, Lote B, Bloco B, Sala 010-7
Edifício Santos Dumont Medical Center
Lago Sul, Brasília, DF
CEP 71605-170
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SGAS 610/611, Bloco I, Sala SL15
Centro Médico Lucio Costa
Asa Sul, Brasília, DF
CEP 70200-700
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Hospital Sírio-Libanês Brasília

SGAS 613, s/n, Lote 94, Via L2 Sul
Asa Sul, Brasília, DF
CEP 70200-730
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Dra. Layla Benevides, Médica Cardiologista, CRM-DF 17997, RQE 16674 (Clínica Médica) e RQE 16675 (Cardiologia).

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem o tratamento individualizado. Em caso de dor no peito intensa, falta de ar súbita, desmaio ou sintoma grave, procure imediatamente um serviço de emergência ou ligue para o SAMU (192).