Quais exames fazem parte do check-up cardiológico?
Na maior parte das vezes, o check-up cardiológico combina consulta com exame físico, eletrocardiograma de repouso e um painel laboratorial com perfil lipídico, glicemia, hemoglobina glicada, função renal e TSH. Ecocardiograma com doppler, teste ergométrico, Holter 24h, MAPA 24h, doppler de carótidas e escore de cálcio coronariano entram de forma seletiva.
| Exame | O que ele mostra |
|---|---|
| Eletrocardiograma (ECG) | Ritmo e condução elétrica; sinais de sobrecarga e de infarto prévio |
| Ecocardiograma com doppler | Anatomia das câmaras, força de contração e funcionamento das válvulas |
| Teste ergométrico | Comportamento do coração e da pressão durante o esforço |
| Holter 24h | Arritmias e batimentos irregulares ao longo do dia e da noite |
| MAPA 24h | Pressão arterial fora do consultório, inclusive durante o sono |
| Doppler de carótidas | Placas e estreitamento nas artérias do pescoço |
| Escore de cálcio coronariano | Cálcio nas artérias do coração, marcador de aterosclerose |
| Painel laboratorial | Colesterol, glicose, função renal e tireoide |
O peso do problema justifica a atenção: segundo a publicação Estatística Cardiovascular Brasil 2023, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, as doenças cardiovasculares causaram 382.507 mortes no país em 2021, o equivalente a 21% de todas as mortes registradas naquele ano.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. A definição de quais exames são realmente necessários é individual e depende da avaliação de um médico.
Existe um pacote padrão de check-up do coração?
Não existe pacote único. A escolha dos exames depende do risco cardiovascular estimado, da idade, do histórico familiar, da presença de hipertensão, diabetes, colesterol alto, obesidade ou tabagismo, e do que a pessoa está sentindo. Pedir tudo para todo mundo aumenta custo, expõe a radiação desnecessária e produz achados irrelevantes que geram ansiedade.
Na consulta, o primeiro passo não é o exame: é a história clínica e a estimativa de risco. A Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2019) organiza a prevenção em categorias de risco (baixo, intermediário, alto e muito alto), e é essa classificação que define quais exames acrescentam informação útil.
Na prática, o raciocínio costuma seguir três cenários:
- Pessoa jovem, sem fatores de risco e sem sintomas: consulta, exame físico, ECG e painel laboratorial básico costumam bastar.
- Pessoa com hipertensão, diabetes, colesterol alto ou histórico familiar: entram exames que avaliam repercussão no órgão e aterosclerose, como ecocardiograma, MAPA, doppler de carótidas ou escore de cálcio.
- Pessoa com sintomas (dor no peito ao esforço, palpitação, desmaio, falta de ar): aí não é mais rastreamento, é investigação, e os exames seguem o sintoma.
Há ainda um ponto que passa despercebido: o exame físico. Aferição da pressão nos dois braços, ausculta cardíaca e das carótidas, palpação de pulsos, peso, altura e circunferência abdominal são dados que orientam a solicitação e não custam nada. Muitas vezes é a ausculta que levanta a suspeita de sopro e leva ao ecocardiograma.
Para entender como a consulta de rastreamento é conduzida do início ao fim, há mais detalhes na página do check-up cardiológico.
O que o eletrocardiograma mostra e como é feito?
O eletrocardiograma registra a atividade elétrica do coração por meio de eletrodos colados no tórax, nos braços e nas pernas. Mostra o ritmo, a frequência, distúrbios de condução, sinais de sobrecarga das câmaras cardíacas e marcas elétricas de infarto antigo. Leva cerca de cinco minutos, não dói e não exige preparo nenhum.
É um exame rápido e de baixo custo, e por isso está presente em quase todo check-up. As diretrizes brasileiras de hipertensão arterial incluem o ECG entre os exames de rotina na avaliação inicial do paciente hipertenso, ao lado de glicemia, perfil lipídico, potássio, creatinina com estimativa da filtração glomerular e exame de urina.
O que o ECG não responde
Um eletrocardiograma normal não exclui obstrução nas coronárias. Ele fotografa apenas os poucos segundos em que foi feito, com a pessoa deitada e em repouso. Uma placa que limita o fluxo só durante o esforço pode não aparecer ali. Por isso, quando a suspeita é doença coronariana, o ECG de repouso é ponto de partida, não conclusão.
O contrário também vale: pequenas alterações no traçado aparecem em pessoas saudáveis, sobretudo em atletas, e não significam doença por si só. O laudo isolado, sem a história clínica e o exame físico, tende a gerar mais dúvida do que resposta.
Para que serve o ecocardiograma com doppler?
O ecocardiograma com doppler é um ultrassom do coração. Mostra o tamanho das câmaras, a espessura das paredes, a força de contração do músculo (a fração de ejeção) e o funcionamento das quatro válvulas. O doppler mede velocidade e direção do sangue, o que permite quantificar sopros e estimar pressões dentro do coração.
É feito com gel e um transdutor deslizando pelo tórax, dura de 20 a 30 minutos, não dói, não usa radiação e, na forma transtorácica, não usa contraste. A pessoa fica deitada de lado, e às vezes é pedido que prenda a respiração por alguns segundos.
O exame costuma ser indicado quando há sopro na ausculta, hipertensão de longa data, falta de ar ou cansaço aos esforços, alteração no ECG, arritmia, histórico familiar de doença do músculo cardíaco, ou quando a pessoa vai iniciar atividade física intensa depois de anos parada.
Duas informações do laudo costumam gerar dúvida. A fração de ejeção estima o percentual de sangue que o ventrículo esquerdo ejeta a cada batimento e é um dos principais marcadores de função. Já a hipertrofia do ventrículo esquerdo, comum em hipertensão de longa data, indica que a pressão já produziu repercussão estrutural, e isso muda a intensidade do tratamento.
O que é o teste ergométrico e quando ele é pedido?
O teste ergométrico é o exame em que a pessoa caminha ou corre em esteira (ou pedala) com o eletrocardiograma e a pressão sendo monitorados durante todo o esforço. Ele mostra como coração e pressão respondem ao exercício, revela isquemia que não aparece em repouso, quantifica capacidade física e desmascara arritmias induzidas pelo esforço.
Segundo a Diretriz Brasileira de Ergometria em População Adulta de 2024, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, trata-se de um exame complementar e rotineiro na prática clínica, no qual o indivíduo é submetido a um esforço físico programado. A mesma diretriz descreve sensibilidade entre 61% e 73% (média de 69%) e especificidade entre 69% e 81% (média de 75%) para detecção de doença arterial coronariana: números que explicam por que o resultado nunca é lido isolado, e sim junto com a probabilidade clínica da pessoa.
Como é na prática
- Duração total: 30 a 40 minutos, contando preparo, esforço e recuperação.
- Tempo de exercício em si: a diretriz de 2024 aponta como ideal um tempo de esforço de cerca de 10 minutos, com variação entre 8 e 12 minutos.
- Preparo: roupa leve, tênis, refeição leve algumas horas antes e orientação individual sobre medicações de uso contínuo.
- Não dói. O que incomoda é o cansaço, que é justamente o objetivo do exame.
- Segurança: a diretriz registra risco de morte súbita cardíaca em torno de 1 a cada 10.000 testes, o que reforça a necessidade de indicação correta e de sala equipada, com médico presente.
É um exame frequente na avaliação de quem vai começar ou intensificar treino, tema detalhado na página de avaliação cardiológica para atividade física. Também é solicitado quando há dor no peito relacionada ao esforço, em algumas avaliações pré-operatórias e no acompanhamento de quem já tem doença coronariana conhecida.
Quando o Holter 24 horas é indicado?
O Holter é um eletrocardiograma contínuo. A pessoa sai do consultório com eletrodos no tórax e um gravador pequeno preso à cintura, e mantém a rotina normal por 24 horas. Ele registra cada batimento do dia e da noite, o que permite flagrar arritmias intermitentes que jamais apareceriam num ECG de cinco minutos.
O exame costuma ser indicado quando há palpitação, sensação de coração falhando ou disparando, tontura, desmaio sem causa clara, ou para quantificar extrassístoles já detectadas. Também é usado para avaliar a resposta ao tratamento de arritmias e para investigar pausas do batimento.
Não dói e não atrapalha o dia. As únicas restrições são não tomar banho enquanto o aparelho estiver conectado e anotar num diário os horários dos sintomas. Essa anotação é o que permite cruzar o que a pessoa sentiu com o que o traçado registrou naquele minuto. Se a queixa principal são batimentos irregulares, vale ler sobre quando investigar arritmia.
Quando os sintomas são muito esporádicos, 24 horas podem não bastar. Nesses casos existem alternativas de registro prolongado, como o Holter de vários dias ou o monitor de eventos, escolhidas conforme a frequência da queixa. O Holter não substitui o ecocardiograma nem o teste ergométrico: ele responde a uma pergunta específica sobre ritmo, não sobre estrutura ou isquemia.
Para que serve a MAPA de 24 horas?
A MAPA (Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial) mede a pressão automaticamente a cada 15 a 30 minutos durante 24 horas, com um manguito no braço e um aparelho na cintura. Ela mostra a pressão na vida cotidiana, incluindo o período de sono, que é justamente o dado que nenhuma medida de consultório fornece.
A Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, elaborada pela Sociedade Brasileira de Cardiologia com a Sociedade Brasileira de Hipertensão e a Sociedade Brasileira de Nefrologia, define hipertensão pela MAPA quando a média de 24 horas é igual ou maior que 130/80 mmHg. Por período, os pontos de corte são 135/85 mmHg na vigília e 120/70 mmHg no sono.
Os dois cenários que só a MAPA separa
- Hipertensão do avental branco: a pressão é elevada no consultório (140/90 mmHg ou mais) e normal fora dele. Sem MAPA, essa pessoa pode ser tratada por uma hipertensão que não tem.
- Hipertensão mascarada: a pressão é normal no consultório e elevada fora dele. Sem MAPA, essa pessoa segue sem tratamento apesar do risco real.
Durante o exame, o manguito aperta o braço a cada medida e acorda algumas pessoas à noite: é o desconforto esperado, e ele não invalida o resultado. A orientação é manter a rotina, inclusive o trabalho, e preencher o diário de atividades e de horário de sono. Há mais sobre o tema em hipertensão arterial: quando procurar um cardiologista.
Quando são indicados o doppler de carótidas e o escore de cálcio coronariano?
Os dois procuram aterosclerose antes do sintoma, em locais diferentes. O doppler de carótidas é um ultrassom das artérias do pescoço e mostra placas de gordura e grau de estreitamento. O escore de cálcio coronariano é uma tomografia rápida, sem contraste, que quantifica o cálcio depositado nas artérias do próprio coração.
Doppler de carótidas
Dura de 15 a 20 minutos, é feito com gel e transdutor no pescoço, não dói e não usa radiação. Costuma ser indicado quando há sopro na ausculta das carótidas, antecedente de AVC ou de isquemia cerebral transitória, doença arterial em outros territórios, ou quando o risco calculado ficou numa faixa em que encontrar placa mudaria a conduta.
Escore de cálcio coronariano
A pessoa deita no aparelho de tomografia, prende a respiração por alguns segundos e sai em cerca de 10 minutos. Não dói, não precisa de contraste e não exige jejum prolongado, mas usa radiação, ainda que em dose baixa, o que reforça que seja pedido com indicação clara.
O uso mais bem estabelecido é reclassificar quem ficou no meio do caminho. A Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (2019) descreve que pessoas de risco intermediário, não diabéticas e sem histórico familiar de doença coronariana prematura, com escore de cálcio zero, podem ser consideradas de baixo risco. Na prática, é o exame que ajuda a decidir se alguém em zona cinzenta começa ou não uma estatina.
Um ponto importante: escore de cálcio zero reduz a estimativa de risco, mas não é atestado de imunidade. Ele não detecta placa sem cálcio, comum em pessoas mais jovens, e não substitui o controle de pressão, colesterol, glicemia e tabagismo.
Quais exames de sangue entram no check-up cardiológico?
O painel básico reúne perfil lipídico completo (colesterol total, LDL, HDL, não HDL e triglicérides), glicemia de jejum, hemoglobina glicada, creatinina com estimativa da filtração glomerular e TSH. Juntos, esses exames cobrem os quatro alvos que mais mudam a conduta: gordura no sangue, açúcar, função renal e tireoide.
| Exame | O que ele responde |
|---|---|
| LDL (colesterol "ruim") | Quanto de colesterol está disponível para se depositar na parede da artéria |
| HDL | Fração que participa do transporte reverso do colesterol; valor baixo é marcador de risco |
| Triglicérides | Gordura circulante ligada a dieta, álcool, obesidade e resistência à insulina |
| Glicemia de jejum | Nível de açúcar naquele momento |
| Hemoglobina glicada (HbA1c) | Média da glicose dos últimos 2 a 3 meses; diagnostica e acompanha diabetes |
| Creatinina e filtração glomerular | Função dos rins, que é ao mesmo tempo alvo e fator de risco cardiovascular |
| TSH | Função da tireoide, que altera frequência cardíaca, pressão e colesterol |
A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025, da Sociedade Brasileira de Cardiologia, aceita a coleta do perfil lipídico sem jejum na avaliação inicial e trabalha com metas de LDL progressivamente mais baixas conforme a categoria de risco: abaixo de 115 mg/dL no risco baixo, abaixo de 100 mg/dL no intermediário, abaixo de 70 mg/dL no alto, abaixo de 50 mg/dL no muito alto e abaixo de 40 mg/dL no risco extremo. Ou seja: não existe um "colesterol normal" igual para todos; o alvo depende do risco de cada pessoa. Essa lógica está detalhada em colesterol alto: o que fazer.
Conforme o caso, podem ser acrescentados potássio e sódio, ácido úrico, exame de urina, relação albumina/creatinina urinária, vitamina D, hemograma e, em situações específicas, lipoproteína(a), que em geral basta ser dosada uma vez ao longo da vida e ajuda a explicar risco familiar não justificado pelos demais exames.
Esses exames doem? Quanto tempo cada um leva?
Nenhum exame do check-up cardiológico é doloroso. O eletrocardiograma, o ecocardiograma, o doppler de carótidas e o escore de cálcio são indolores. No teste ergométrico o que incomoda é o cansaço; na MAPA, o aperto do manguito; nos exames de sangue, a picada da coleta.
| Exame | Dói? | Duração | Preparo |
|---|---|---|---|
| Eletrocardiograma | Não | Cerca de 5 minutos | Nenhum |
| Ecocardiograma com doppler | Não | 20 a 30 minutos | Nenhum |
| Teste ergométrico | Não; o esforço cansa | 30 a 40 minutos, com 8 a 12 de esforço | Tênis, roupa leve, orientação sobre medicações |
| Holter 24h | Não | 24 horas com o aparelho | Não molhar os eletrodos; preencher o diário |
| MAPA 24h | Aperto do manguito a cada medida | 24 horas com o aparelho | Manter a rotina; anotar horários de sono |
| Doppler de carótidas | Não | 15 a 20 minutos | Nenhum |
| Escore de cálcio | Não | Cerca de 10 minutos na sala | Sem contraste; usa radiação em dose baixa |
| Exames de sangue | Picada da coleta | Poucos minutos | Depende do que foi solicitado |
Vale separar dois contextos que costumam ser confundidos: o check-up é feito em quem está bem, com o objetivo de estimar risco e prevenir. A avaliação pré-operatória tem outra pergunta, o quanto o coração tolera uma cirurgia específica, e por isso segue outra lógica de solicitação de exames, mesmo quando os nomes se repetem.
Estou com dor no peito. Devo esperar o check-up?
Não. Dor no peito em aperto, peso ou queimação, principalmente se irradia para braço, pescoço ou mandíbula, vem com suor frio, náusea ou falta de ar, é situação de emergência. O mesmo vale para falta de ar de início súbito e para desmaio. Procure um serviço de emergência ou ligue 192 (SAMU) imediatamente.
Check-up é para quem está sem sintomas. Quando existe sintoma, o caminho muda de nome e de urgência: passa a ser investigação, e algumas dessas investigações precisam acontecer no mesmo dia, não na próxima agenda disponível. Não use WhatsApp, e-mail ou consulta agendada para semanas depois como via para um sintoma agudo.
Para sintomas que aparecem e passam (um desconforto no peito ao subir ladeira, palpitação ocasional, cansaço novo) vale entender melhor os sinais em dor no peito: quando é o coração e levar a descrição para a consulta.
De quanto em quanto tempo repetir o check-up cardiológico?
O intervalo é individual. Pessoas sem fatores de risco e com exames normais costumam ser reavaliadas a cada um ou dois anos. Quem tem hipertensão, diabetes, colesterol alto, doença renal ou histórico familiar de evento precoce em geral é acompanhado em intervalos mais curtos, e nem sempre repetindo os mesmos exames.
Repetir exame de imagem todo ano sem que nada tenha mudado raramente acrescenta informação. O que costuma mudar conduta é a reavaliação de pressão, peso, circunferência abdominal, glicemia, perfil lipídico e hábitos, e a revisão de qual exame ainda faz sentido diante do quadro atual.
Como se organizar para a consulta
- Leve a lista das medicações em uso, com dose.
- Reúna exames anteriores, mesmo antigos: a comparação ao longo do tempo vale mais que um valor isolado.
- Anote o histórico familiar com idade dos eventos (infarto, AVC, morte súbita, marca-passo).
- Descreva os sintomas com detalhe: o que sente, em que situação começa, quanto dura e o que faz melhorar.
- Só depois disso a lista de exames é montada: na consulta, e não antes dela.
Por isso a resposta a quais exames fazem parte do check-up cardiológico só fica pronta depois da conversa e do exame físico, nunca a partir de um pacote fechado.
Sou a Dra. Layla Benevides, médica cardiologista, CRM-DF 17997, com RQE 16674 em Clínica Médica e RQE 16675 em Cardiologia. Atendo no consultório da Clínica Lívere, no Lago Sul, e no da Live Medicina Especializada, na Asa Sul, além de atendimento hospitalar e domiciliar. As informações sobre horários, valores, formas de pagamento e emissão de nota fiscal para reembolso estão em como agendar a consulta. O WhatsApp (61) 99845-4292 e o telefone (61) 3773-4324 são canais de agendamento: avaliação clínica, interpretação de exames e conduta são feitas presencialmente, em consulta.
Este texto tem finalidade informativa e não substitui a consulta médica. Nenhum exame deve ser solicitado, interpretado ou dispensado com base em conteúdo de internet.
Perguntas frequentes
Quais exames fazem parte do check-up cardiológico completo?
Depende do que foi pedido. A Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025 aceita a coleta do perfil lipídico sem jejum na avaliação inicial. Glicemia de jejum, porém, exige jejum. Eletrocardiograma, ecocardiograma, Holter, MAPA, doppler de carótidas e escore de cálcio não precisam de jejum. Para o teste ergométrico, orienta-se refeição leve algumas horas antes, nunca jejum prolongado.
Quanto tempo demora um check-up cardiológico completo?
A consulta em si leva de 40 a 60 minutos. Os exames costumam ser distribuídos em outros dias: eletrocardiograma leva cerca de cinco minutos, ecocardiograma de 20 a 30, teste ergométrico de 30 a 40, doppler de carótidas de 15 a 20 e escore de cálcio cerca de 10. Holter e MAPA ocupam 24 horas com o aparelho, sem internação.
Eletrocardiograma normal significa que meu coração está bem?
Não necessariamente. O eletrocardiograma registra apenas os segundos em que foi feito, com a pessoa em repouso. Ele pode estar normal em quem tem obstrução coronariana que só se manifesta no esforço, ou em quem tem arritmia que aparece esporadicamente. Por isso o resultado é lido junto com a história clínica, o exame físico e, quando indicado, outros exames.
Qual é a diferença entre Holter 24h e MAPA 24h?
São aparelhos diferentes com perguntas diferentes. O Holter grava o eletrocardiograma continuamente e serve para investigar arritmias, palpitações, tonturas e desmaios. A MAPA mede a pressão arterial automaticamente ao longo do dia e da noite e serve para confirmar hipertensão, identificar hipertensão do avental branco ou mascarada e avaliar o efeito do tratamento. Não são intercambiáveis.
Escore de cálcio coronariano zero quer dizer que não vou ter infarto?
Não. Segundo a Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia de 2019, o escore zero permite reclassificar como baixo risco pessoas de risco intermediário não diabéticas e sem história familiar de doença coronariana prematura. Isso reduz a estimativa de risco, mas não elimina. O exame não detecta placas sem cálcio, mais frequentes em pessoas jovens.
Quais são os valores normais da MAPA de 24 horas?
Pela Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025, considera-se hipertensão quando a média de 24 horas atinge 130/80 mmHg ou mais. Por período, os pontos de corte são 135/85 mmHg na vigília e 120/70 mmHg durante o sono. A leitura do exame, porém, considera também o comportamento da pressão ao longo do dia e o quadro clínico de cada pessoa.
Com que frequência devo repetir o check-up cardiológico?
O intervalo é individual. Pessoas sem fatores de risco e com exames normais costumam ser reavaliadas a cada um ou dois anos. Quem tem hipertensão, diabetes, colesterol alto, doença renal ou histórico familiar de evento cardiovascular precoce em geral é acompanhado em intervalos menores. Repetir exames de imagem anualmente sem mudança clínica costuma acrescentar pouco.
Posso fazer o check-up cardiológico em casa?
Parte dele sim. A consulta, o exame físico, o eletrocardiograma, a instalação de Holter e MAPA e a coleta de sangue podem ser realizados em domicílio. Ecocardiograma, teste ergométrico e escore de cálcio dependem de equipamento e estrutura próprios e são feitos em serviço adequado. A modalidade domiciliar é uma opção frequente para idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Fontes e leitura complementar
- Diretriz Brasileira de Ergometria em População Adulta de 2024
Sociedade Brasileira de Cardiologia (Arquivos Brasileiros de Cardiologia) - Atualização da Diretriz de Prevenção Cardiovascular da SBC de 2019
Sociedade Brasileira de Cardiologia (Arquivos Brasileiros de Cardiologia) - Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial de 2025
Sociedade Brasileira de Cardiologia, Sociedade Brasileira de Hipertensão e Sociedade Brasileira de Nefrologia - Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose de 2025
Sociedade Brasileira de Cardiologia (Arquivos Brasileiros de Cardiologia) - Estatística Cardiovascular Brasil 2023
Sociedade Brasileira de Cardiologia (Arquivos Brasileiros de Cardiologia)
Leia também
- check-up cardiológico Leva o leitor à página principal sobre como a avaliação preventiva é conduzida, logo depois de entender que não existe pacote único.
- avaliação cardiológica para atividade física O teste ergométrico é exame frequente em quem vai iniciar ou intensificar treino, então o link aparece exatamente nesse contexto.
- quando investigar arritmia Quem chega ao artigo por causa de palpitação encontra no trecho do Holter o aprofundamento do sintoma que o trouxe.
- hipertensão arterial: quando procurar um cardiologista Complementa a seção da MAPA para o leitor que já suspeita ou sabe que tem pressão alta.
- colesterol alto: o que fazer Aparece no painel laboratorial, quando o leitor descobre que a meta de LDL depende do risco individual.
- dor no peito: quando é o coração Oferece o caminho correto a quem tem sintoma e não deveria estar buscando check-up de rotina.
Onde a consulta acontece
Clínica Lívere
SHIS QI 01, Lote B, Bloco B, Sala 010-7Edifício Santos Dumont Medical Center
Lago Sul, Brasília, DF
CEP 71605-170
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Live Medicina Especializada
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Dra. Layla Benevides, Médica Cardiologista, CRM-DF 17997, RQE 16674 (Clínica Médica) e RQE 16675 (Cardiologia).
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem o tratamento individualizado. Em caso de dor no peito intensa, falta de ar súbita, desmaio ou sintoma grave, procure imediatamente um serviço de emergência ou ligue para o SAMU (192).
