Avaliação pré-operatória

Por que fazer risco cirúrgico antes de uma cirurgia

Entender por que fazer risco cirúrgico ajuda a tirar da avaliação a fama de burocracia. Ela não existe para liberar papel: existe para estimar a chance de complicação cardiovascular no perioperatório, ajustar o que precisa ser ajustado e decidir o que resolver antes de entrar no centro cirúrgico. Este texto é informativo e não substitui a consulta médica.

Por que fazer risco cirúrgico muda o que acontece na cirurgia

A avaliação pré-operatória responde a três perguntas, e nenhuma delas é se a pessoa pode ou não operar.

  1. Qual é a chance de uma complicação cardiovascular acontecer nesta cirurgia, nesta pessoa? O risco vem da combinação entre a condição clínica e o porte do procedimento.
  2. O que dá para reduzir antes? Pressão descontrolada, anemia, arritmia não tratada e diabetes fora de meta são coisas que se corrigem, e corrigir muda desfecho.
  3. O que a equipe precisa saber? Medicação em uso, tolerância ao esforço, eventos prévios e o que fazer com cada remédio no dia da cirurgia.

A resposta quase nunca é proibir. É preparar melhor, ajustar o momento ou avisar a equipe do que esperar.

Um dado clínico vale mais que vários exames nesse contexto: a sua capacidade funcional. Quem sobe dois lances de escada sem parar tem um marcador favorável; quem não consegue, ou não sabe porque não tenta, entra num grupo que merece avaliação mais cuidadosa. Por isso eu pergunto quanto esforço você aguenta hoje, e não só há quanto tempo você não faz exames.

O que a avaliação inclui na prática

A consulta pré-operatória junta história, exame físico e, quando indicado, exames complementares escolhidos conforme a pergunta clínica.

Etapa O que ela resolve
História e exame físico Levantam condição cardíaca, capacidade funcional e fatores de risco
Revisão de medicamentos Define o que suspende, o que mantém e o que ajusta antes do procedimento
Eletrocardiograma Indicado conforme a história e o porte da cirurgia, não por rotina
Exames de sangue Anemia e função renal mudam a preparação
Exames adicionais Ecocardiograma ou teste de isquemia quando a avaliação levanta suspeita

A revisão de medicamentos é a parte que mais evita transtorno de última hora. Anticoagulante, antiagregante, anti-hipertensivo, medicação para diabetes e suplementos têm condutas diferentes, e cada uma depende do tipo de cirurgia e do risco de sangramento.

O detalhamento dos exames está em quais exames são pedidos no risco cirúrgico, e o roteiro completo do serviço em risco cirúrgico no Lago Sul.

Quando fazer e por quanto tempo vale

O melhor momento para a avaliação é assim que a cirurgia é cogitada, não na véspera. Antecedência dá espaço para corrigir o que for encontrado, e é justamente isso que muda desfecho.

Avaliação feita em cima da hora costuma terminar de duas formas ruins: adiamento do procedimento, quando aparece algo que precisava de tempo, ou cirurgia realizada sem a preparação que teria sido possível.

Sobre validade, a regra prática é que o prazo é o teto, e a estabilidade clínica é o que decide. Um laudo dentro do prazo perde valor se apareceu sintoma novo, se houve internação ou se a medicação mudou. Quem quiser o recorte específico encontra em qual a validade do risco cirúrgico.

Leve para a consulta: qual é a cirurgia e a data prevista, exames anteriores, a lista de medicamentos com dose e horário, relatórios de internação e o contato do cirurgião ou do anestesista.

O que acontece depois da avaliação

A consulta termina com um documento que descreve a condição cardiovascular, o risco estimado, a conduta com os medicamentos e as recomendações para o perioperatório. Esse documento é o que a equipe cirúrgica vai ler.

Em casos selecionados, o acompanhamento continua dentro do centro cirúrgico, assunto que detalho em acompanhamento cardiológico intraoperatório. E depois da cirurgia, a vigilância das primeiras horas é o ponto mais sensível, porque complicação cardiovascular pós-operatória costuma ser silenciosa e aparecer primeiro no exame.

Conhecer o seu basal antes da cirurgia é o que permite perceber mudança cedo depois dela. Essa é, no fim, a resposta mais direta para por que fazer risco cirúrgico: sem linha de base, todo valor alterado no pós-operatório vira dúvida.

Atenção: se o sintoma está acontecendo agora, dor no peito em aperto, falta de ar súbita ou desmaio, a conduta não é agendar avaliação. Procure emergência ou ligue 192 (SAMU).

Perguntas frequentes

Por que fazer risco cirúrgico antes de uma cirurgia?

Para estimar a chance de complicação cardiovascular naquele procedimento, corrigir antes o que é corrigível e informar a equipe sobre medicação e condição clínica. A avaliação raramente proíbe a cirurgia. Ela prepara melhor, ajusta o momento ou avisa a equipe do que esperar.

Toda cirurgia precisa de avaliação cardiológica?

Não. A indicação depende do porte do procedimento e da condição clínica da pessoa. Cirurgias de pequeno porte em pessoas sem fator de risco muitas vezes dispensam. Já procedimentos maiores, ou pessoas com doença cardíaca conhecida, idade avançada ou baixa capacidade funcional, se beneficiam da avaliação.

Com quanta antecedência devo fazer a avaliação?

Assim que a cirurgia for cogitada, não na véspera. Antecedência é o que permite corrigir o que for encontrado, e é isso que muda desfecho. Avaliação em cima da hora costuma terminar em adiamento ou em cirurgia feita sem a preparação que teria sido possível.

O cardiologista pode reprovar a minha cirurgia?

Raramente é assim que funciona. A avaliação estima risco e recomenda preparo; a decisão sobre operar é do paciente com a equipe cirúrgica, considerando também o risco de não operar. Quando há contraindicação temporária, o mais comum é adiar para tratar algo específico, não cancelar.

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Dra. Layla Benevides, Médica Cardiologista, CRM-DF 17997, RQE 16674 (Clínica Médica) e RQE 16675 (Cardiologia).

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem o tratamento individualizado. Em caso de dor no peito intensa, falta de ar súbita, desmaio ou sintoma grave, procure imediatamente um serviço de emergência ou ligue para o SAMU (192).