Prevenção cardiovascular

A importância do check-up cardiológico na prevenção de doenças do coração

A importância do check-up cardiológico vem de um fato incômodo: as três condições que mais levam ao infarto e ao AVC não doem. Hipertensão, colesterol alto e diabetes passam anos silenciosas, e quando dão sinal já causaram dano. Este texto é informativo e não substitui a consulta médica.

Por que a importância do check-up cardiológico está no silêncio da doença

Quase todo mundo procura médico quando sente algo. O problema é que a doença cardiovascular passa a maior parte do seu tempo sem sintoma, e o primeiro sinal pode ser justamente o evento que se queria evitar.

As três condições mais frequentes se comportam do mesmo jeito:

  • Hipertensão arterial. Não dói. Dor de cabeça não é sinal confiável de pressão alta, e é por isso que tanta gente descobre a hipertensão por acaso, num exame de rotina ou já no pronto-socorro.
  • Colesterol alto. Também não dá sintoma. A placa se forma devagar na parede da artéria, ao longo de décadas, e só avisa quando estreita o suficiente para causar angina ou quando rompe e causa infarto.
  • Diabetes. Os sintomas clássicos aparecem tarde. Antes deles, existe um período longo de glicemia alterada que já vai danificando vasos.

A aterosclerose começa cedo. Estudos de necropsia em pessoas jovens mostram que o processo já está em curso décadas antes de qualquer sintoma. Isso não é motivo para alarme, é motivo para não adiar a avaliação.

O detalhamento do que a avaliação inclui está em check-up cardiológico no Lago Sul.

O que o check-up procura, e por que não é uma bateria fixa de exames

Existe uma confusão comum entre check-up e pacote de exames. Pacote é uma lista igual para todo mundo; check-up é uma avaliação que parte da sua história e calibra o resto conforme o seu risco.

O que entra na avaliação:

Etapa O que responde
História clínica Sintomas, hábitos, doenças prévias e história familiar
Exame físico Pressão, ausculta, pulsos, peso e circunferência abdominal
Cálculo de risco Estima a probabilidade de evento e define a intensidade da conduta
Exames laboratoriais Perfil lipídico, glicemia, função renal e urina
Eletrocardiograma Conforme idade e fatores de risco
Exames adicionais Só quando a avaliação levanta uma pergunta que eles respondem

A estimativa de risco hoje é feita pelo escore PREVENT, que calcula a probabilidade de doença cardiovascular em 10 e em 30 anos, considera a função renal e inclui a insuficiência cardíaca no desfecho.

Exame pedido sem pergunta clínica tem custo próprio: gera achado incidental, que gera mais exame, ansiedade e às vezes tratamento de algo que nunca daria problema. Por isso a avaliação vem antes da lista.

Quem deve fazer e com que frequência

Não existe uma idade única para começar, existe um conjunto de situações que antecipam a avaliação.

Procure a avaliação preventiva se você:

  1. Tem história familiar de evento precoce, infarto antes dos 55 anos no pai ou dos 65 na mãe.
  2. Já sabe de algum fator de risco, como pressão alta, colesterol alterado, diabetes ou tabagismo.
  3. Vai iniciar atividade física intensa depois de um período parado.
  4. Passou por gestação com pré-eclâmpsia ou diabetes gestacional, condições que aumentam risco cardiovascular e raramente são lembradas depois.
  5. Tem doença inflamatória crônica, como artrite reumatoide ou psoríase.
  6. Ronca e acorda cansado, pelo peso da apneia do sono sobre pressão e ritmo.

A frequência de repetição acompanha o risco encontrado. Pessoa jovem, sem fator de risco e com exames normais reavalia de forma espaçada. Quem tem fator de risco reavalia com mais frequência, e quem já tem doença manifesta entra em seguimento regular.

Traga sempre os exames anteriores, mesmo antigos. Comparação é informação que exame novo nenhum substitui: um colesterol de 200 significa uma coisa em quem sempre teve 200 e outra em quem tinha 150 no ano passado.

O que fazer com o resultado

O check-up só cumpre a função dele se terminar em plano. Resultado sem conduta é papel.

A consulta de retorno lê os exames junto com você, define as metas do seu risco e combina o que muda: hábito, tratamento medicamentoso quando indicado, e o intervalo até a próxima avaliação.

Os cinco alvos que mais mudam desfecho são conhecidos e pouco glamourosos: não fumar, pressão controlada, colesterol na meta do seu risco, glicemia controlada e atividade física regular. Nenhum deles depende de tecnologia cara. O que depende de consulta é saber qual meta é a sua.

Quem quiser o recorte mais amplo sobre agir antes do sintoma encontra em medicina preventiva cardiovascular, e quem quer saber exatamente quais exames costumam entrar, em quais exames fazem parte do check-up cardiológico.

Atenção: prevenção é para quem não tem sintoma. Dor no peito em aperto, falta de ar súbita ou desmaio não são caso de agendar avaliação preventiva. Procure emergência ou ligue 192 (SAMU).

Perguntas frequentes

Qual é a importância do check-up cardiológico?

Está em encontrar hipertensão, colesterol alto e diabetes enquanto eles ainda não deram sintoma. Essas três condições são as que mais levam a infarto e AVC, e nenhuma delas dói. Quando aparece o primeiro sinal, boa parte do dano já aconteceu. A avaliação existe para agir antes disso.

Com que idade devo fazer o primeiro check-up?

Depende mais do seu contexto do que da idade isolada. Com história familiar de infarto precoce, com algum fator de risco já conhecido ou antes de iniciar atividade física intensa, a avaliação deve ser antecipada. Sem nenhum desses, a primeira avaliação pode acontecer mais tarde e ser repetida de forma espaçada.

Check-up é uma lista fixa de exames?

Não, e essa é a confusão mais comum. Pacote é igual para todo mundo; check-up parte da sua história e do seu risco calculado, e é isso que define quais exames fazem sentido. Exame sem pergunta clínica gera achado incidental, mais exame e ansiedade, sem benefício demonstrado.

Meus exames vieram normais. Preciso repetir?

Sim, com intervalo definido pelo seu risco. Exame normal descreve o momento, não garante o futuro, e o valor de repetir está na comparação. Pessoa sem fator de risco repete de forma espaçada; quem tem pressão alta, colesterol alterado ou diabetes repete com mais frequência.

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Dra. Layla Benevides, Médica Cardiologista, CRM-DF 17997, RQE 16674 (Clínica Médica) e RQE 16675 (Cardiologia).

Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem o tratamento individualizado. Em caso de dor no peito intensa, falta de ar súbita, desmaio ou sintoma grave, procure imediatamente um serviço de emergência ou ligue para o SAMU (192).