Como se confirma insuficiência cardíaca
Insuficiência cardíaca é a incapacidade do coração de bombear sangue na quantidade que o corpo precisa, ou de fazê-lo à custa de pressões elevadas dentro das câmaras. O diagnóstico junta três coisas: sintoma compatível, sinal no exame físico e confirmação por exame.
Os sintomas que mais aparecem:
- Falta de ar ao esforço, que vai piorando e reduzindo a distância que você caminha.
- Falta de ar ao deitar, que faz a pessoa dormir com mais travesseiros.
- Despertar à noite com falta de ar, sintoma bastante sugestivo.
- Inchaço nos tornozelos e nas pernas, pior no fim do dia.
- Ganho rápido de peso, de dois a três quilos em poucos dias, que é líquido e não gordura.
- Cansaço desproporcional para o esforço feito.
No exame físico eu procuro estertores nos pulmões, turgência das veias do pescoço, terceira bulha, edema e alteração do ponto de impulso do coração. A confirmação vem do ecocardiograma, que mostra a força de contração e as pressões, e do peptídeo natriurético, que ajuda a diferenciar falta de ar de origem cardíaca de outras causas. Quem chegou pela queixa encontra o recorte em falta de ar e cansaço podem ter origem cardíaca.
O peso diário é o exame mais barato que existe
Nenhum exame de imagem avisa de uma descompensação com a antecedência de uma balança. O ganho de líquido aparece no peso antes de aparecer no inchaço e muito antes de virar falta de ar em repouso.
O combinado que faço com todo paciente com insuficiência cardíaca:
- Pesar todo dia, de manhã, depois de urinar, com a mesma roupa e a mesma balança.
- Anotar, num caderno ou no celular. Memória não serve aqui.
- Avisar quando o ganho for de dois quilos em três dias ou de três quilos em uma semana.
- Não esperar a consulta marcada quando isso acontecer.
Junto com o peso vão os outros sinais de alerta combinados: inchaço que piorou, necessidade de mais travesseiros para dormir, redução da quantidade de urina e falta de ar que apareceu em esforço menor.
O sal merece menção própria. Ele não é vilão abstrato: é o que segura líquido. Comida industrializada, embutido, caldo pronto e conserva concentram muito mais sal do que o saleiro, e é aí que a maior parte das descompensações alimentares nasce.
Tratamento: o que muda sintoma e o que muda prognóstico
Esta distinção é a mais importante do tratamento da insuficiência cardíaca, e quase nunca é explicada.
| Grupo | O que faz |
|---|---|
| Diurético | Tira líquido, alivia falta de ar e inchaço rapidamente. Não aumenta sobrevida |
| Medicações que modificam a doença | Agem no mecanismo da doença, reduzem internação e prolongam a vida |
O diurético é o remédio que você sente funcionar, e por isso é o que as pessoas valorizam. As medicações que mudam o prognóstico costumam não dar sensação nenhuma, e são exatamente as que não podem ser abandonadas. Elas são introduzidas aos poucos e a dose sobe de forma progressiva, sempre com controle de pressão, função renal e potássio.
Duas consequências práticas disso:
- Dose baixa que parece boa não é o alvo. A titulação até a dose tolerada é parte do tratamento, não um excesso de zelo.
- Função renal e potássio são acompanhados de perto, porque limitam a subida da dose e porque distúrbio de potássio favorece arritmia.
Quem tem insuficiência cardíaca de causa isquêmica precisa também do tratamento da doença coronariana, porque tratar a bomba sem tratar a causa resolve metade do problema.
Acompanhamento, internação e o mês depois da alta
O intervalo de retorno depende da fase. Na titulação das medicações costuma ser de duas a quatro semanas; com o quadro estável e as doses no alvo, abre para três a seis meses.
O período logo após uma internação por insuficiência cardíaca é o mais sensível de todos: a pessoa sai do ambiente monitorado justamente quando está se ajustando a um esquema novo de remédios. Por isso a reavaliação nas primeiras semanas depois da alta é parte do tratamento, não um extra. Quem ainda não consegue se deslocar pode fazê-la em casa, como descrevo em consulta cardiológica domiciliar.
Traga em cada consulta o caderno de peso, o registro de pressão, a lista atualizada de medicamentos e os exames desde a última avaliação.
Procure emergência diante de falta de ar em repouso, falta de ar que surgiu de repente, dor no peito, desmaio ou incapacidade de deitar para dormir. Ligue 192 (SAMU).
O acompanhamento acontece no consultório da Clínica Lívere, no Lago Sul, e no da Live Medicina Especializada, na Asa Sul, com as formas de agendar em agendar consulta.
Perguntas frequentes
Como é o acompanhamento de insuficiência cardíaca?
Organizado em torno do peso diário, da tolerância ao esforço e da titulação das medicações que mudam o prognóstico. O retorno é de duas a quatro semanas enquanto as doses sobem e abre para três a seis meses com o quadro estável. Cada consulta revisa peso, pressão, função renal, potássio e sinais de congestão.
Por que preciso me pesar todos os dias?
Porque o líquido retido aparece no peso antes de aparecer no inchaço e muito antes de virar falta de ar em repouso. Ganho de dois quilos em três dias ou três em uma semana é sinal de descompensação começando, e avisar nessa hora costuma evitar a internação. É o exame mais barato e mais antecipado que existe.
Posso parar o remédio quando estiver me sentindo bem?
Não, e aqui mora a confusão mais comum. O diurético você sente funcionar; as medicações que prolongam a vida costumam não dar sensação nenhuma. Estar bem é o resultado delas, não a permissão para suspendê-las. Qualquer ajuste é decidido em consulta, com pressão, função renal e potássio na mão.
Insuficiência cardíaca tem cura?
Depende da causa. Quando há um fator reversível, como arritmia sustentada, doença de válvula corrigível ou uma miocardite, a função pode se recuperar de forma importante. Na maior parte dos casos a doença é crônica e o tratamento é de controle, capaz de reduzir sintoma, internação e mortalidade quando bem conduzido.
Leia também
- falta de ar e cansaço podem ter origem cardíaca Recorte informativo para quem chegou pelo sintoma e ainda não tem diagnóstico.
- doença coronariana Causa isquêmica é a origem mais frequente e exige tratar a causa, não só a bomba.
- consulta cardiológica domiciliar É a condição mais atendida em domicílio e o seguimento pós-alta costuma precisar disso.
Onde a consulta acontece
Clínica Lívere
SHIS QI 01, Lote B, Bloco B, Sala 010-7Edifício Santos Dumont Medical Center
Lago Sul, Brasília, DF
CEP 71605-170
Ver no Google Maps
Live Medicina Especializada
SGAS 610/611, Bloco I, Sala SL15Centro Médico Lucio Costa
Asa Sul, Brasília, DF
CEP 70200-700
Ver no Google Maps
Hospital Sírio-Libanês Brasília
SGAS 613, s/n, Lote 94, Via L2 SulAsa Sul, Brasília, DF
CEP 70200-730
Ver no Google Maps
Contato
Agendamento: WhatsApp (61) 99845-4292Telefone Lago Sul: (61) 3773-4324
Telefone Asa Sul: (61) 99111-5598
Perfil na Doctoralia
Instagram @laylabenevides.cardio
Dra. Layla Benevides, Médica Cardiologista, CRM-DF 17997, RQE 16674 (Clínica Médica) e RQE 16675 (Cardiologia).
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica, o diagnóstico nem o tratamento individualizado. Em caso de dor no peito intensa, falta de ar súbita, desmaio ou sintoma grave, procure imediatamente um serviço de emergência ou ligue para o SAMU (192).
